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Alienação Parental

Foto do escritor: Luana VianaLuana Viana


A relação pais e filhos é uma das mais importantes na vida de muitas pessoas, e em alguns casos, um dos pais pode ser indevidamente afastado do seu filho ou filha. Isso tem a ver com um fenômeno na psicologia conhecido como alienação parental.

Nem todo afastamento de um dos pais do filho ou filha é exemplo de alienação parental. Em casos envolvendo abuso ou negligência, por exemplo, o afastamento do pai ou da mãe pode ser necessário para garantir a integridade da criança e não seria considerado uma alienação. Quando uma criança é afastada de um deles sem uma justificativa plausível, aí sim é um caso de alienação e ela pode ter consequências negativas tanto para as crianças tanto para o pai ou a mãe afastada, além de consequências legais para a pessoa que a comete.

O conceito de alienação parental ganhou destaque na década de 1980, quando o psiquiatra Richard Gardner propôs que ela era um transtorno psicológico vivido pela criança por conta da manipulação psicológica feita por um dos pais. Ele observou que, em certos casos extrema de separação ou divórcio, a criança se aliava a um dos pais e desenvolvia uma grande aversão em relação ao outro pai, o que Gardner entendia não justificada ou irracional. Se a criança demonstrasse comportamentos como críticas unilaterais e sentimentos irracionais de rejeição voltado a um dos pais, além de um apoio automático a outro pai, Gardner concluía que a criança tinha sido manipulada e desenvolvida a alienação parental.

Outros profissionais também observaram que algumas crianças exibiam esse tipo de comportamento, especialmente em caso de divórcios conflituosos e nos quais a criança parecia ter sido manipulada por um dos pais. Um grupo desses profissionais propôs que a alienação parental fosse reconhecida por instituições profissionais da área da psicologia e saúde familiar como um transtorno mental que poderia ser revertido através da psicoterapia. Apesar de ser possível que crianças sejam manipuladas para terem esse tipo de sentimento em relação a um dos pais, muitos profissionais criticam a visão de que esse sentimento e condutas refletem um transtorno mental.

Os pesquisadores e clínicos responsáveis por atualizar o DSM, que é o principal manual, diagnostico de transtorno mentais do mundo, chegaram a considerar a inclusão da alienação parental na última edição do manual, mas devido a várias críticas, decidiram não a incluir. Uma das críticas da literatura de alienação parental é que a principal teoria sobre como o transtorno ocorreria é muito simplista. Muitos proponentes desse conceito dizem que a alienação ocorre através da manipulação da criança por um dos pais, fazendo ela rejeitar o outro pai. Só que existem outros fatores além da manipulação que podem fazer com que uma criança rejeite um dos seus pais.

Aspectos da personalidade dos dois pais, da criança e da circunstancia onde a família se encontra, como o contexto cultural e socioeconômico, podem influenciar as opiniões da criança sobre os pais. Alguns pesquisadores argumentam que, na maioria dos casos, dificilmente a causa da rejeição é apenas o que um dos pais disso do outro. Inclusive a depender da circunstancia, uma criança pode se sentir progressivamente mais distante e se afastar de ambos os pais, não de apenas um deles. Casais vivenciando uma crise no relacionamento podem ter dificuldade em manter uma relação próxima e positiva com os filhos, além da crise ser capaz de estressar a criança.

Outra crítica a essa ideia é que os termos usados, por proponentes da alienação parental são excessivamente vagos. Um exemplo disso é a expressão “lavagem cerebral” que era muito usada para descrever como a manipulação ocorria. De acordo com os críticos dessa ideia, não existem critérios objetivos para determinar se uma lavagem cerebral ocorreu. Ela costuma ser deduzida a partir das impressões do pai alienado e da criança depois de ela ter idade suficiente para relatar o que ocorreu.

Por não contar com critérios claros e objetivos de diagnostico, algumas pessoas podem se aproveitar disso para conseguir a guarda do filho indevidamente. Em casos mais extremos, pais que abusam dos filhos podem acusar falsamente o outro pai de ter causado a alienação parental. Através de um processo, esse pai abusivo pode conseguir fazer o que quer com o filho ou filha seja obrigado a visita-lo ou ficar com a guarda integral dela a depender da decisão judicial.

Como é considerada até hoje por alguns como um transtorno, existem propostas de tratamento para alienação parental. Em geral ela consiste de sessões supervisionadas e guiadas por um terapeuta em que a criança convive com o pai pela qual tem aversão. um problema com esse tipo de tratamento é que ainda não existe evidencias claras e produzidas de formas rigorosas que demonstrem seus níveis de segurança e eficácia.

Apesar dessas críticas, crianças podem sim ser influenciada e passar a ter uma rejeição extrema a um dos pais. Mesmo que não seja considerada de maneira formal um transtorno psicológico, essa rejeição pode ser estudada e se tornar alvos de intervenções psicológicas como qualquer outro fenômeno que cause sofrimento a alguém. É especialmente comum que algo assim ocorra quando um casal está passando por um divórcio ou quando há a disputa legal pela custodia de um ou mais filhos. A rejeição por parte da criança pode ser estimulada de forma proposital por um dos pais, mas também pelos próprios comportamentos inapropriados por parte da mãe ou do pai, por exemplo.

Em alguns estudos, adultos com pais separados responderam questionários sobre as relações que tiveram com seus pais durante a infância e a adolescência, assim como sobre sua saúde mental atual. Aqueles que foram afetados de um dos pais se mostraram mais propensos a desenvolver problemas ligado a depressão, ansiedade, baixa autoestima e um estilo de apego inseguro. Esse tipo de estudo mostra que a alienação parental se correlaciona com problemas ligado a saúde mental, mas não demonstra que ela causa tais problemas diretamente. Para averiguar isso melhor, o ideal seria que estudos experimentais fossem conduzidos, só que isso se esbarra em dificuldades práticas e éticas a depender do formato do estudo. Outro fator que pode estar relacionado com a alienação mais que possui um impacto maior e mais claro na suade mental da criança são os maus tratos infantis.

Em muitos casos, pode ser ele o principal fator prejudicando a saúde mental da criança e não a alienação. O problema é que como os maus tratos aumentam a chance de que se inicie um processo de alienação, pode ser difícil separar o impacto de cada fator. Apesar de ainda existir controvérsias sobre o que é alienação, quando ela ocorre, quais são as suas causas e consequências, parece claro que crianças podem ser levadas a rejeitar um dos seus pais de maneira indevida e que isso traz repercussões negativas para a vida de todos os envolvidos.

Pode até ser que algumas pessoas aleguem a existência da alienação de forma falsa, mas existem casos reais de alienação nos quais a criança foi incentivada intencionalmente por um dos pais a se afastar do outro. Por esses e outros motivos, é tão importante que seja conduzidos estudos mais rigorosos sobre alienação parental. Também é fundamental que novas teorias sobre esse fenômeno sejam desenvolvidas e averiguadas, já que hoje em dia, sabemos que as coisas podem ser bem mais complexas do que se imaginava antes.

A necessidade de entender melhor a alienação parental é especialmente importante para nós aqui no Brasil, já que apresentamos índices elevados de violência doméstica e contra criança. Embora ainda não exista dados super claros sobre isso, tudo leva a crer que a alienação também é alta por aqui. Quando alguém pensa na psicoterapia, pode imaginar que elas se resumam a tratamentos individuais para dificuldades ligada a saúde mental. Só que psicólogos também se dedicam a ajudar famílias a lidarem com seus conflitos e a encontrarem formas mais saudáveis de conviverem, isso tem a ver com a terapia familiar.

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